37º Encontro

Jr 18-37

10 • maio • 2026

Visão geral

O Livro de Jeremias é um dos grandes escritos proféticos do Antigo Testamento, pertencente ao grupo dos Profetas Maiores. Ele reúne oráculos, narrativas e confissões pessoais do profeta Jeremias, cuja missão se desenvolve em um dos períodos mais dramáticos da história de Judá: os anos que antecedem a destruição de Jerusalém e o exílio babilônico (séc. VII–VI a.C.). Sua mensagem é marcada por um forte chamado à conversão, pela denúncia da infidelidade do povo e pela revelação da fidelidade persistente de Deus.

Na leitura da Igreja Católica, Jeremias é o profeta do coração e da nova Aliança. Sua experiência pessoal de sofrimento, rejeição e fidelidade faz dele uma figura profundamente humana e espiritual. O livro mostra que Deus não deseja apenas a observância externa da Lei, mas uma transformação interior. Por isso, Jeremias anuncia uma Aliança nova, escrita no coração do homem, que encontra seu pleno cumprimento em Cristo.

Dados essenciais

  • Língua original: Hebraico bíblico (com algumas seções preservadas em aramaico na tradição textual)

  • Títulos: יִרְמְיָהוּ (Yirmeyahu) – “O Senhor exalta / estabelece” (heb.); Ἰερεμίας (gr.); Ieremias (lat.)

  • Coleção: Profetas Maiores

  • Classificação na Bíblia Hebraica: Profetas (Nevi’im)

  • Autoria/tradição: atribuída ao profeta Jeremias, com a colaboração de seu escriba Baruc

  • Cenários: Jerusalém, Judá e o contexto do avanço babilônico

  • Horizonte histórico: últimos reis de Judá até a queda de Jerusalém (586 a.C.) e o início do exílio

Megatemas (palavras-chave)
Conversão; infidelidade; juízo divino; nova Aliança; coração; sofrimento profético; fidelidade de Deus; esperança.

Nomes de Deus no livro: YHWH (Senhor), Elohim (Deus), “Senhor dos Exércitos”.


Lugar teológico na Bíblia e na Igreja

O Livro de Jeremias revela de forma intensa a relação entre Deus e o seu povo como uma Aliança ferida, mas não destruída. Deus denuncia o pecado, especialmente a idolatria e a injustiça, mas continua chamando o povo à conversão. Jeremias mostra que o verdadeiro problema não está apenas nas ações externas, mas no coração humano afastado de Deus.

Na tradição cristã, Jeremias é particularmente importante pelo anúncio da nova Aliança (Jr 31,31–34), que será plenamente realizada em Jesus Cristo. O profeta também é visto como figura do Cristo sofredor, rejeitado por seu próprio povo, mas fiel à missão recebida de Deus.


Estrutura do conteúdo

I) Chamado e missão do profeta (Jr 1–6)
  • Vocação de Jeremias: chamado desde o ventre materno.

  • Primeiros oráculos: denúncia da infidelidade de Israel.

  • Chamado à conversão: retorno ao Senhor como única esperança.

II) Denúncia e advertência antes da queda (Jr 7–25)
  • Crítica ao culto vazio: o Templo não garante a salvação sem conversão.

  • Injustiças sociais: opressão e corrupção do povo.

  • Anúncio do juízo: invasão e exílio como consequência da infidelidade.

III) Conflitos, perseguições e sinais proféticos (Jr 26–45)
  • Perseguição a Jeremias: rejeição de sua mensagem.

  • Sinais simbólicos: ações proféticas que anunciam o juízo.

  • Queda de Jerusalém: cumprimento das advertências.

IV) Promessas de restauração (Jr 30–33)
  • Livro da Consolação: esperança para o povo exilado.

  • Nova Aliança: lei escrita no coração.

  • Restauração de Israel: retorno e renovação espiritual.

V) Oráculos contra as nações (Jr 46–51)
  • Juízo universal: Deus governa todas as nações.

  • Queda da Babilônia: limite do poder humano.

VI) Apêndice histórico (Jr 52)
  • Destruição de Jerusalém: relato histórico final.

  • Exílio: confirmação da palavra profética.


Leitura cristológica e espiritual

  • Nova Aliança: realizada plenamente em Cristo.

  • Profeta sofredor: Jeremias como figura de Jesus.

  • Conversão interior: transformação do coração.

  • Fidelidade em meio à rejeição: permanecer firme na missão.


Como ler com o Theophilus

  • Leitura profética: acolher o chamado à conversão profunda.

  • Leitura espiritual: examinar o próprio coração diante de Deus.

  • Leitura cristológica: reconhecer em Cristo o cumprimento da nova Aliança.

  • Leitura perseverante: aprender a fidelidade mesmo em tempos difíceis.


Para aprofundar no encontro

  • Leituras da semana: Jr 1; 7; 20; 30–31.

  • Materiais: paralelos com os Evangelhos; comentários patrísticos sobre a nova Aliança.

  • Objetivo: compreender o Livro de Jeremias como chamado à conversão do coração, que conduz à nova Aliança realizada plenamente em Cristo.

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Resumo

A ruína de Jerusalém e o fim da monarquia

Os últimos reis de Judá — Joacaz, Joaquim, Jeconias e Sedecias — conduzem o povo em um período marcado pela infidelidade e pela decadência espiritual. A narrativa mostra que a queda de Jerusalém não é apenas um desastre político, mas consequência da ruptura contínua da Aliança com Deus.

Sob o avanço da Babilônia, acontecem o cerco da cidade, o saque do Templo e as deportações do povo. O destino trágico de Sedecias, que vê seus filhos morrerem antes de perder a visão e ser levado ao exílio, simboliza a ruína definitiva da monarquia davídica em Jerusalém.

Os sofrimentos de Jeremias

Enquanto Jerusalém caminha para a destruição, Jeremias permanece fiel à missão profética. Perseguido, preso e lançado na cisterna, o profeta continua anunciando a verdade, mesmo rejeitado por reis e pelo povo.

Ao lado de Baruc, Jeremias registra os oráculos divinos, preservando a Palavra de Deus em meio ao colapso nacional. Sedecias oscila entre o medo e a escuta do profeta, revelando a tensão entre resistência humana e chamado à conversão.

Após a queda de Jerusalém, Jeremias permanece entre os sobreviventes em Judá. Mesmo depois da catástrofe, o povo continua resistindo à voz de Deus e foge para o Egito, repetindo a antiga infidelidade.

Oráculos contra as nações

Os oráculos dirigidos ao Egito, Babilônia, Moab, Edom, Filisteia e outras nações revelam que Deus é Senhor de toda a história. Nenhum reino escapa ao juízo divino, especialmente quando marcado pelo orgulho, violência e idolatria.

A Babilônia, instrumento do castigo contra Judá, também será julgada. Sua queda manifesta que todo poder humano é passageiro diante da soberania de Deus.

Esperança em meio à catástrofe

Mesmo em meio à destruição de Jerusalém e ao exílio, permanece um sinal de esperança. O favor concedido ao rei Joaquin anuncia que Deus não abandonou definitivamente seu povo e que a promessa feita à descendência de Davi continua viva.

Síntese teológica

Esses acontecimentos mostram que a infidelidade conduz à ruína, mas também revelam a perseverança da misericórdia divina. Jeremias torna-se imagem do profeta fiel que sofre por causa da verdade, antecipando a figura do justo perseguido.

A queda de Jerusalém encerra uma etapa da história de Israel, mas abre o caminho para uma esperança nova: Deus continua conduzindo seu povo, mesmo no exílio, preparando a futura restauração e a plenitude da Nova Aliança.

Os profetas anunciam o Reino de Deus (Reinke, 90)

Resumo

O Reino de Deus

Anunciado pelos Profetas e Realizado em Jesus

Introdução

O Reino de Deus é um dos grandes eixos de toda a Sagrada Escritura. Desde o Antigo Testamento até a pregação de Jesus, a Revelação apresenta Deus como Senhor da história, que conduz o seu povo e deseja reunir toda a humanidade em comunhão consigo. O Reino não é um poder político ou territorial, mas a manifestação da justiça, da paz, do amor e da vontade divina no coração do homem e no mundo.


1. O Reino Anunciado pelos Profetas

Israel nasceu com a consciência de que o Senhor era o seu verdadeiro Rei. Quando os reis humanos demonstraram fraqueza, pecado e injustiça, os profetas mantiveram viva a esperança de que o próprio Deus instauraria definitivamente o seu Reino.

Isaías

  • Anuncia um descendente de Davi cheio do Espírito.
  • O Reino será marcado por justiça e paz.
  • Reconciliação universal: “O lobo habitará com o cordeiro.” (Is 11,6).
  • Profecia do Rei-Messias: “O seu reino não terá fim.” (Is 9,5-6).

Jeremias

  • Promessa de uma nova Aliança.
  • Transformação interior: “Porei minha lei no fundo do seu ser.” (Jr 31,33).
  • O Reino será espiritual e interior.

Ezequiel

  • Deus reunirá seu povo disperso.
  • “Eu mesmo apascentarei minhas ovelhas.” (Ez 34,15).
  • Coração novo e espírito novo.

Daniel

  • Os impérios humanos passam; o Reino de Deus permanece.
  • Visão do “Filho do Homem” com domínio eterno (Dn 7,14).

Miqueias e Zacarias

  • Miqueias anuncia o nascimento do governante em Belém.
  • Zacarias descreve o rei humilde montado num jumento.

Assim, os profetas prepararam progressivamente o coração do povo para a chegada do Messias e do Reino definitivo.


2. O Reino Realizado em Jesus

Com João Batista, ecoa o anúncio: “O Reino dos Céus está próximo.” (Mt 3,2). Em Jesus Cristo, a promessa torna-se presença viva: “Completou-se o tempo.” (Mc 1,15). Nele, o próprio Deus visita o seu povo.

Sinais do Reino

  • Cegos veem e surdos ouvem;
  • Pecadores são perdoados;
  • Pobres recebem a Boa-Nova;
  • Demônios são expulsos;
  • Mortos ressuscitam.

O Reino manifesta-se não pela força política, mas pela ação silenciosa da graça, como o grão de mostarda ou o fermento (Lc 17,21).

Quem acolhe o Reino?

  • Os pobres em espírito (Mt 5,3);
  • Os pequenos e simples;
  • Os misericordiosos e perseguidos;
  • Aqueles que o recebem como uma criança (Lc 18,16-17).

3. O Reino e a Igreja

Jesus confiou à Igreja a missão de anunciar o Reino. Segundo o Catecismo, a Igreja é “o germe e o início do Reino”. Ele já está presente:

  • na Palavra de Deus;
  • nos sacramentos;
  • na Eucaristia;
  • na santidade;
  • na vida da Igreja.

Contudo, o Reino ainda aguarda sua plenitude definitiva, que se realizará no retorno glorioso de Cristo.


Conclusão

Os profetas mantiveram viva a esperança do Reino em meio às crises da história. Em Jesus Cristo, o Reino prometido tornou-se presença concreta através do amor, da misericórdia e da conversão do coração. Hoje, ele continua a crescer silenciosamente no mundo e na Igreja, enquanto aguardamos sua plena realização.

“Venha a nós o vosso Reino.” (Mt 6,10)

CIC 105-108: Inspiração e verdade da Sagrada Escritura

Resumo

ARTE: Pintura "Jeremias lamenta a destruição de Jerusalém"

Resumo

Jeremias lamenta a destruição de Jerusalém – Rembrandt van Rijn (1630)

Artista: Rembrandt van Rijn
Data: 1630
Técnica: Óleo sobre painel
Localização: Rijksmuseum, Amsterdã
Referências bíblicas: Lm 1–5; 2Rs 25

Contexto histórico-artístico

A obra representa um dos momentos mais dramáticos da história bíblica: a queda de Jerusalém. Rembrandt, mestre do Barroco holandês, não retrata a violência da destruição em si, mas o impacto espiritual que ela provoca no coração do profeta.

Composição e linguagem visual

Jeremias aparece em primeiro plano, sentado, com o corpo curvado e a cabeça apoiada na mão. A postura transmite exaustão, dor e perplexidade. Seu olhar perdido sugere sofrimento interior mais profundo que a própria ruína material.

O uso magistral do claro-escuro destaca o profeta, enquanto o fundo permanece mergulhado na escuridão. Ao longe, Jerusalém arde em chamas, pequena e quase secundária na composição.

  • Luz concentrada sobre Jeremias: presença que ilumina a dor;
  • Cidade em chamas ao fundo: consequência do pecado;
  • Tons terrosos e dourados: peso, solenidade e dramaticidade.

Rembrandt sugere que a verdadeira tragédia não é apenas a destruição física, mas a ruptura espiritual entre Deus e seu povo.

Significado teológico

Jeremias não lamenta somente a queda da cidade, mas as consequências do pecado e do afastamento de Deus. Sua dor é também intercessão: ele sofre com o povo e pelo povo.

Na tradição cristã, Jeremias prefigura Cristo, que também chora por Jerusalém e assume o sofrimento da humanidade. A luz que envolve o profeta aponta para uma esperança silenciosa: mesmo na ruína, Deus permanece presente.

Mensagem espiritual

Rembrandt revela o invisível: a dor que se torna oração e a ruína que se abre à esperança. Jeremias não é apenas um homem que chora o passado, mas um profeta que, na escuridão, continua a testemunhar a fidelidade de Deus.

A obra convida à contemplação: reconhecer o peso do pecado, acolher a luz da graça e transformar o sofrimento em intercessão.

THEOPHILUS – Grupo de Estudos Bíblicos Católico

Lamentações e Ezequiel – Semana 39

Nesta 39ª semana, a Escritura conduz o povo de Israel entre lamento e profecia.

Enquanto Joaquim deixa a prisão e volta a sentar-se à mesa do rei da Babilônia, Jerusalém continua prostrada sobre as próprias ruínas, pois a liberdade de um rei não é capaz de curar as feridas de uma nação (cf. Jr 52,31–34).

Exilado em Tafnes, no Egito, Jeremias carrega na alma as cicatrizes de Sião: o templo em cinzas, a cidade consumida pelo fogo, a fome dos pobres, o choro das crianças e a dor das mães (cf. Lm 1,11; 2,11–12.20; 5). Sua voz se mistura à voz do povo ferido: “Eu sou o homem que viu a aflição” (cf. Lm 3,1).

Diante de tanta dor, Israel compreende que não há atalhos: é preciso atravessar a dor, reconhecer a própria culpa e voltar o coração para Deus (cf. Lm 1,18–20). E justamente quando a noite parece definitiva, uma esperança resiste: “As misericórdias do Senhor não têm fim; renovam-se a cada manhã” (cf. Lm 3,22–23).

E é exatamente nesse espaço entre o lamento profundo e a esperança silenciosa que algo inesperado acontece: longe da terra prometida, às margens do rio do exílio, quando parecia que o céu havia se fechado para sempre, ele se rasga novamente sobre um povo derrotado: “Os céus se abriram” (cf. Ez 1,1).

Ali, às margens do Cobar, um homem ergue os olhos e descobre que o céu não se fechou para o exílio. Ali começa a missão do sacerdote Ezequiel, exilado na Babilônia e chamado por Deus para profetizar em terra estrangeira.

Feito sentinela (cf. Ez 3,17), anuncia que Deus ainda pode renovar o interior do homem: “Eu vos darei um coração novo” (cf. Ez 11,19). Mas antes da restauração, vem a denúncia: o profeta desmascara os falsos profetas que anunciavam uma paz inexistente (cf. Ez 13,10) e confronta os corações divididos que ergueram ídolos dentro de si (cf. Ez 14,6).

E, antes que tudo se perca, o Senhor ainda abre espaço para a misericórdia: “Voltai-vos e afastai-vos dos vossos ídolos” (cf. Ez 14,6).

Mas o coração endurecido do povo continua a resistir. Jerusalém torna-se videira seca e esposa infiel (cf. Ez 15–16), mas a misericórdia divina permanece mais forte que a infidelidade humana: “Eu me lembrarei da minha aliança” (cf. Ez 16,60).

E quando a esperança parecia cortada pela raiz, o Senhor promete plantar um ramo novo sobre Israel. Das ruínas, ergue-se a voz divina: “Eu, o Senhor, falei e o farei” (cf. Ez 17,24).

E assim, a história segue — não mais sustentada por muros, mas pela presença viva daquele que continua falando, mesmo quando tudo parece ter chegado ao fim.

Eis, aí, o Deus da purificação.

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Exemplo: Encontro de Domingo - Gênesis 38-50